Inf. Educativa x Inf. educacional Parte I
Informática Educativa x Informática Educacional
Últimos dias tenho me questionado, sobre essas duas definições. Podendo então definir, que são dois conceitos são extremamente complexos, isso pela proximidade dos dois.
A Prof°. Miriam Salles, destaca que: “a informática Educacional é utilizada como um recurso, uma ferramenta para a construção de conhecimento. A principal forma de trabalhar é através de projetos, webquests, webgincanas, projetos colaborativos entre escolas geograficamente separadas, enfim, atividades planejadas sobre determinados temas, ou conteúdos didáticos de uma disciplina. Os alunos elaboram seus trabalhos utilizando softwares como os do Office, recursos de WEB 2.0 como blogs e wikis, ou até mesmo linguagens de programação. Para coleta de dados ou busca de informações utilizam os recursos disponíveis que podem ser bancos de dados, a web, participação em listas de discussão, fóruns.”
Não descordo da professora Miriam Salles, porém devemos estar conscientes, que havendo a falta efetiva do professor, estaremos correndo o risco de não trabalhar os obstáculos epistemológicos dos alunos, como nos alerta o professor Herminio.
Agora analisando o termo Informática Educativa, nos perguntamos muitas vezes será que a informática educacional não está inserida no contexto da Informática Educativa?
Uma coisa temos que ter claro, a informática educativa não deve ser uma ilha na escola. Ela deve aproximar a escola, integrar, promover a interdisciplinaridade, a transdiciplinaridade.
A informática educativa, pode ser vista como ferramenta para melhorar o desenvolvimento cognitivo, também pode ser uma ferramenta para inclusão, entre muitas outras finalidades, e todas finalidades não importa qual for deve ser resultado de um projeto bem planejado, refletido.
Poucas vezes me coloquei a refletir sobre a diferença entre informática educativa e informática educacional, porém muitas vezes me questionei em que informática educativa eu queria INSTRUCIONISTA ou CONSTRUCIONISTA?
“Não morda meu dedo, olhe para onde estou apontando”.(Seymour Papert)
Podemos em um primeiro momento fazer a seguinte pergunta, que informática educativa queremos? Instrucionismo ou construcionismo? Ambos têm sua importância no processo de aprendizagem. O instrucionismo tem sua importância, para reforçar os conteúdos da sala da aula. E o método construcionista coloca o aluno como sujeito da aprendizagem, e também faz com que o aluno deixe de ser somente expectador.
Um dos pontos que vejo que possuem enorme importância, é a auto-estima do aluno, existe todo um lado cognitivo e emocional (Daniel Goleman) que está relacionado com a informática educativa. Podemos observar isso, desde pequenas atividades como uma simples ida ao laboratório. Não importando se a atividade é instrucionista, o aluno se encanta com o mundo de cores, sons e efeitos. Assim vendo com novos olhos muitos conteúdos, que pareciam chatos na sala de aula e que acabam tendo outro significado dentro de um ambiente multimídia. Certo dia na escola Arno Nienow, depois de uma aula de informática educativa, e tendo feito vários desafios matemáticos, um aluno da 4 ° série, direcionou o seguinte comentário:
“Como pode a divisão e multiplicação são coisas tão chatas no caderno, e no computador isso até fica fácil e divertido…”
Lembro das palavras desse garoto, por que aquilo me deixou com muitas idéias, dúvidas me levando a refletir sobre vários aspectos educacionais. Me questionei, primeiro sobre qual informática educativa eu queria. Será a tecnologia poderia vir a ajudar no controle da indisciplina. Será que nosso sistema de ensino da valor a essas colocações? Será que ouros professores, valorizam esse tipo de comentário? Um passei dias pensando, e passie a observar constantemente, o comportamento dos alunos, o entusiasmo. E passei a volorizar ainda mais, a informática educativa. E as outras tecnologias digitais. Elas podem se bem utilizadas, de maneira criativa e consciente, ajudar para um re-encantamento pela construção do conhecimento.
Podemos analisar também que inúmeros estudos, dentro de áreas como a neurociência, mostram que essas atividades por mais simples que sejam, tem apresentado resultados tais como uma maior motivação, um novo olhar para o ambiente educacional, uma maior interação dentro da comunidade e do meio em que vive, além de desenvolver diversas aptidões cognitivas.
Um dos objetivos de um educador na área da informática educativa é, e deve ser, oferecer a oportunidade para que as crianças possam aprender de forma agradável, da “sua” maneira: investigando, trocando idéias, respondendo a desafios, construindo e respeitando as diferenças.
Sempre defendi a informática do construcionismo. Onde o aluno é o principal sujeito no seu processo de aprendizagem.
A pouco tempo, tenho me questionado sobre o construcinismo, vejo ele como metodologia principal, mas não nego mais o instrucionismo. Vejo algums pontos interessantes, o aluno se fascina pelo mundo multimidia, cheio de sons, cores, animações, esse mundo a apreende. Ele se interessa mais pelo conteúdo a ser trabalhado. Porém o professor que não conhece ou não utiliza muito o LIE, pode vir a se entusiasmar, se no inicio as atividades forem próximas as da sala de aula. Após o encanto do professor, o engajamento, ele pode vir sim a realizar outros trabalhos. Quem sabe essa não seja uma maneira de integrarmos a informática nos processos de ensino-aprendizagem?
Em um outro ponto que eu gostaria de destacar, é que vejo que a informática educativa deve sair do Laboratório, assim como a educação não acontece apenas lendo um livro e decorando questões para uma prova, ela deve estravazar, pois Vigotsky já nos diria que o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a partir de relações intra e interpessoais. É na troca com os outros sujeitos e consigo próprio que se vão internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais.
A informática educativa se adapta muito bem a interdisciplinaridade. Podemos realizar trabalhos entre diferentes escolas com os recursos do cyberespaço. Podemos criar videos de nosso municipio, criar gráficos, buscar o professor de física, de matemática de biologia, para dentro do processo. Portanto atribua o termo Pluridisciplinaridade a informática educativa. Trabalhar com projetos na informática educativa sempre pode ser gratificante, mas o mais gratificante, é quando usamos a abordagem construcionista dentro desse processo, e colocamos os alunos como agentes do projeto, o professor faz o papel de mediador do processo de aprendizagem. passando assim a ser o animador de inteligência coletiva do projeto. Os alunos se engajam no projeto e eles mesmo vão buscar o professor de física, o de matemática, o de Português, o de Biologia. Para que eles possam colaborar (passar também a ser animadores de inteligência) no processo do projeto. Ai o processo de avaliação constante e a integração dos alunos seriam um dos pontos mais fortes do ato educativo. Ou seja o projeto está centrado na aprendizagem, e não no ensino.
Vamos discutir essas idéias?